Já com a temporada de abono terminada, a praça de toiros do Campo Pequeno voltou a abrir as portas para um
Festival de Beneficência em Favor da Deficiência, iniciativa da Associação Portuguesa de Dressage que tem vindo a desenvolver na área da Hipoterapia, Equitação Terapêutica e Adaptada, sendo patrona a SAR D. Isabel de Bragança. Foi pois com uma pequena demonstração, mas grandiosa em termos de afectos e sensibilidade, que antes do espectáculo taurino nos presentearam jovens e crianças portadores de deficiências que montando a cavalo nos mostravam como a equitação pode também ser um sinal de esperança e terapia.
Só é pena que os aficionados e público em geral não tenham aderido tanto a esta iniciativa como o costumam fazer quando de corridas televisionadas se trata. Assim não chegando à 1/2 casa deu-se inicio ao espectáculo taurino com um minuto de silêncio em memória do pai do cavaleiro Manuel Jorge de Oliveira, recentemente falecido.
Joaquim Bastinhas foi quem fez as honras da casa e lidou o primeiro novilho de Prudêncio da Silva com
444 kg que parecia ter corda pois assim que saiu dos curros não parava por um segundo e nem passando ao lado do cavalo se fixava neste. Só quando Bastinhas lhe deixou o primeiro comprido o novilho veio a si e rompeu para o que lhe estava predestinado. Nos curtos o cavaleiro andou igual a si próprio. Sem cair nos exageros, soube lidar a rês em sorte, citando quase sempre de largo, cravando certeiro, e sempre de sorriso rasgado nos lábios chegou como é hábito, facilmente às bancadas. No final e seguindo o que é já tradição, o público pediu-lhe o par de bandarilhas ao qual Bastinhas correspondeu com acerto. Goste-se que não se goste, Joaquim Bastinhas é caso de popularidade há anos, e ali ficou mais uma vez patente, numa lide uniforme do cavaleiro de Elvas.
António Telles recebeu o novilho de Passanha com
528 kg à porta gaiola, mas desta feita de jaqueta na mão à moda de como se faz no campo, levando-o depois em voltas à arena e parando a rês no centro do ruedo. Contudo, a alegria do novilho cedo esmoreceu e foi a menos com o decorrer da lide. Deixou bem dois compridos, depois falha um terceiro, mas recompõe muito bem. Nos curtos o
passanha ganhou querências junto às tábuas e foi todo um labor e experiência do cavaleiro da Torrinha para o sacar para os terrenos e executar as sortes. Correcto na ferragem curta com o animal a não investir, fez o que pôde e ainda nos brindou com um bom ferro de palmo em terrenos de compromisso.
Um dos regressos mais aguardados no Campo Pequeno era o de
João Salgueiro, que depois da sua presença de duas faces no dia 27 de Setembro, em que o triunfo e a tragédia pautaram respectivamente as duas actuações do cavaleiro de Valada do Ribatejo, voltava ali disposto a limpar a imagem deixada. Frente a um novilho de Manuel Veiga com
430 kg, efectuou uma passagem em falso para deixar o primeiro ferro comprido mas depois concertou bem ao deixar dois ferros. O novilho que apesar de poucas carnes demonstrou algum génio, não largava o cavalo, o que permitiu ao cavaleiro subir de tom a actuação. Montando a égua Nádia, cravou bons ferros, com destaque para o sexto curto em terrenos de dentro. O público, esse mostrou que ‘águas passadas não movem moinhos’ e nenhum ressentimento foi demonstrado, aplaudindo com autenticidade a lide de Salgueiro.
Na segunda parte,
Ana Batista lidou o novilho de Mário Vinhas com
455 kg que também se fechou em tábuas e se mostrou de investida curta. Clássica de modos, Ana soube escolher terrenos, sacando das querências o novilho e dando-lhe a lide possível. Depois de dois bons compridos, brilhou pelo labor frente ao oponente em sorte, pelo quarto curto bem deixado e pelo ferro de adorno com que culminou a sua actuação deixado numa ligeira batida ao pitón contrário.
O mais jovem cavaleiro de alternativa,
Manuel Telles Bastos lidou o novilho de Assunção Coimbra com
433 kg. Deixou bem o primeiro comprido, depois leva ligeiro toque ao deixar o segundo, mas correcto num terceiro. Nos curtos sentiu algumas dificuldades frente a um novilho que não acometia às investidas, com o jovem cavaleiro a ter que entrar em terrenos de compromisso para lhe deixar os ferros. E apesar de não ter havido disposição da rês, houve vontade do Telles Bastos, que cumpriu na ferragem e ainda deu um ar de sua graça.
Mas o melhor da noite estaria reservado para o fim, o jovem praticante
Marcos Tenório, filho de Joaquim Bastinhas, poderia ser aquele de quem menos se esperava visto que esta temporada esteve muito tempo parado devido a uma lesão e também por ser o único praticante em serviço, mas não. Lidou o novilho de Romão Tenório com
470 kg que não era fácil, mas Marcos mostrou que a sua tenra idade não equivale às suas capacidades toureiras. Muito mais solto, colheu a atenção do novilho nos dois compridos que deixou, depois foi vê-lo em cada curto demonstrar uma correctíssima escolha de terrenos, execução e remate das sortes brilhante, sem pressas, numa actuação de enorme valor.

No que às pegas diz respeito, pelos
Amadores de Lisboa foram solistas António Correia de Campos à 2ª e Pedro Miranda à 1ª aguentando-se bem, destacou ainda deste grupo o “novo” rabejador Francisco Mira, que depois de efectuar valentes pegas mostrou também valentia a rabejar;
Pelos
Amadores de Évora pegaram de caras Ricardo Casas novas à 3ª depois de tentativas falhadas por falta de ajudas e António Moura Dias muito bem á 1ª;
Pelo grupo do
Aposento da Moita, Nuno Inácio e José Broega, ambos à 1ª em boas pegas. Dirigiu José Tinoca assessorado pelo veterinário António José Rita.
Durante o intervalo foi sorteada, entre os bilhetes válidos, uma poldra Cruzada e não Lusitana como antes anunciado.